Arquivo para agosto, 2011

perder

Posted in em destaque on agosto 27, 2011 by felipert

Estamos à mercê. Uns de pouco, outros do incontável.
Peças substituíveis, jogo de reposição. Lamento.
As coisas voam, palavras ferem. No final
estamos à mercê

sem que determinasse tempo, alguns falham
em dedicar amor, afeição, compaixão. Perdão. E o inesperado bate à porta.

Significa muito lembrar do que foi dito. Significa pensar em primor. Primorear as passagens que formaram um caráter. Sei que num infinito, numa invenção de datas, faríamos melhorar o que a própria desmanchou.

Pela primeira vez, sinto a necessidade de me desculpar sendo corroída pela certeza de que não farei.
Mil lamentações, rapaz.
Eu te amei, respeitei e enalteci. Espero que tenha um pedaço meu em ti.

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zero

Posted in em destaque on agosto 20, 2011 by felipert

Começar do zero. Sem que austero o force a entrada.
Precisa sim, que alguém seja severo. Sem revoada.

Banho de sangue, intuições atrasadas. Começar do zero.
Apoiar num pensamento que te conta, sem hesitar. Sendo que seu é tratado pacto, com gotas do banho.

E que perca tempo com mensagens sem assunto. Que sinta vontade de morder as costas.
Só seja um que agrade e comece sem base. Sem basear no que vivem.

pingou

Posted in em destaque on agosto 17, 2011 by felipert

Egoísta, enquanto todos olham pras velas, pro bolo, noiva, buquê. Olhava ardente o copo cheio. Uísque com uma única pedra de gelo, soltando fumaça, dilacerando vozes “me beije. me sinta, engula. eu sei que me quer…”
quer corrigir, saborear quer muito mais
e arde só por pensar no ardor de deglutir o elixir. e soube que num compartimento da casa, sua vida era engarrafada nos mais saborosos escoceses glenlivet.
a sombra da árvore, river spey nomeado, o evento sincero. As vozes pediam mais ardor. num frio amedrontador, ninguém partiu

já findada mesura, tod’aquela alvura incoerente.
era como pintura, desfavor na mistura. solidifica.

e quem não fere, se feriu da bravura insolente
ele, ou quem indefere, coagiu’sua tortura malemolente.

a cachaça toma todas as veias, num efémero desatino.
solvente forte, gritando seco.
formando imperfeito, meu ultimo destino.
voar pelas colunas até o próximo boteco.

03:12

Posted in em destaque on agosto 11, 2011 by felipert

obrigado pt-3

Se desse pra resumir o que dizem. Trabalhar pra encurtar as frases e dar menos ênfase ao desgaste.
Ao olhar minhas mãos, não as vejo. Vejo-me em outras e só mãos, numa inserção imaterial. Numa transmissão intensa, nas correntes sem liga de corpos que nunca se tocaram. Vejo-as em mim como estou em outro.
As cidades a volta dos corpos tomam diferentes formas todos os dias, não diferente. Se pudéssemos dormir um pouco, até reavermos o entusiasmo. Não corrente ao sarcasmo. Como se fosse a ultima rima.

Quebrou a amarra, que não solte então.
Na verdade, a sua vontade nem conta mais, quando não tem certeza do que te faz mover. A intensa transmissão é redefinida. Não separarão outra vez. Ela por medo. Ele nem sabe o que fez. A mão que tocava o ombro, queima ao tocar seu seio, já não sabe a que veio, respira e tira, tudo muito cheio, dos olhares, do passeio e daqueles velhos pesares.
Um vivo por menos da metade da intenção, aquele que sobrou, ruge inerte.

A fadada decisão. Quem carregará o que restou? Um em cima dos fados e a decisão em cima do aborto. Esqueçam Matilde e todo conforto. Intenso.

Intensificou. A corrosão move em círculos, silenciosa. Vez ou outra, deixa escorrer gotas fluorescentes, totalmente ignoradas pelos olhos do corpo. Indefinido, não decifrável.

Agorafobia.

ponta da praia

Posted in em destaque on agosto 8, 2011 by felipert

ponta da praia. sonda
são ditas palavras
eco
seu

areia da praia, flutua
são flores n’água
nua
e eu

da ventana, resmunga
são mágoas puras
não
dói

sem motivo, pediu
seu sono precioso
meu
cói

“duma primavera em jejum”

a parte alta do pedido
do rancor que foi metido
a recusa em me dar ter sangue
dois dias preso no mangue

pior foi ter dito que quis
estar na ponta da praia
e por mais que te fizesse infeliz
só te pensei dando forma a minha “aia”

é com pesar que me livro.
e mais ainda te digo
nada além de tristeza resta
do seu escuro, nem a tal fresta.
ilumina

rouba e teima

Posted in em destaque on agosto 5, 2011 by felipert

Posso ouvir os sinos. A voz do sono me consome. Com tom de morte rente ao menino, cujo nome não é sorte.
Aqui com anjos camuflados, senil é o comportamento, de febril a desapontamento, sacia seu anseio. Nada com muito fervor, é só calor que arde, não lhe farde antes de dizer que se comprometeu. “muito menos eu” já disse, como se sentisse que ia queimar d’água. Menos que jogo, mais que frágua. Queima. Rouba e teima.

outro um pra nenhum.

atirou

Posted in em destaque on agosto 1, 2011 by felipert

Preso num corpo que respira
que não mente, não tira
a mão que antepõe a defesa

defesa que se faz negativa
e por provar tua saliva
eis que me força a surpresa

corpo dotado de dores
que ar ao soprar aos arredores
aflige sem pudor algum

ainda que fosse correto
seria de mim aquele seu feto,
não parte do homem comum

o peso atinge a cabeça
reage morrendo antes que peça
qualquer imperfeita melhora

ouve passos dados a grande distância
explodiu a cabeça em rara instância
pra que não houvesse outro agora.